Eu sempre pensei algo mais ou menos assim: que deve haver qualquer coisa em algumas pessoas – qualquer coisa biológica – que explique a atração que elas provocam em outrem. Penso, sobretudo, em algumas pessoas nitidamente feias, mas por quem eu nutro certa pulsão sexual. Mas não sei se paixão vai pelo mesmo caminho. É que o apaixonar-se é uma experiência social e, como tal, não exclui os preconceitos – o que explica a impossibilidade de se apaixonar por um feio; ainda que seja verdadeira a máxima de quem ama o feio, bonito lhe parece, mas a segunda metade do ditado confirma a teoria. Ou por outra: é impossível se apaixonar por uma pessoa ignorante, mas é perfeitamente possível que um indivíduo pertencente a essa classe tenha algum tipo de gene capaz de despertar os hormônios de um outro indíviduo, intelectualmente superior. A pulsão sexual me parece cada vez mais relacionada a uma explicação genética, o que não é propriamente uma novidade, basta ler Zola. O que ainda me parece ser necessário diferenciar não é tanto a pulsão sexual da paixão , mas sim a primeira do ato sexual, em si. É que o sexo é uma conjunção de variáveis, incluindo-se aí a perspectiva social. É perfeitamente possível sentir-se atraído sexualmente por uma pessoa, sem jamais desejar fazer sexo com ela. Que me perdoem a pobreza da metáfora, mas o sexo é mais ou menos como falar uma língua, há pessoas que decididamente falam outra língua e com as quais é escusado tentar chegar a um acordo linguístico – mesmo que você se sinta atraído por elas. Como saldo, o feio pode despertar a pulsão sexual, mas dificilmente consumará o ato senão com alguém da sua classe.





1 comment
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junho 10, 2009 às 1:40 pm
bruna guerra
será?